Como cobrar por um serviço de fotografia?
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Como cobrar por um serviço de fotografia?

Estou vendo muitos fotógrafos iniciantes com essa dúvida. Assim, resolvi elaborar um manual que permitirá a você calcular, de forma justa, o preço a cobrar por um serviço de fotografia.

Antes de mais nada, vale uma introdução… Fiz Mestrado em Economia do Meio Ambiente, então, de certa forma, pode-se dizer que sou economista. Além disso sou Físico, já trabalhei muito com direito (tenho curso de extensão na área) e hoje trabalho com pesquisas científicas. Neste texto, apliquei muito do que aprendi no curso de Economia…

Então, veremos muita coisa aqui. Mas, gostaria de colocar alguns pontos aqui, já adiantando…

  • Não importa quão caro é seu equipamento: isso influencia pouco no valor do serviço.
  • Comece pequeno. Pense grande!
  • Defina quanto você vale. Não se desvalorize. Não se supervalorize!
  • Apenas fotógrafos experientes conseguem sustentar um ponto comercial.
  • Não reduza seu preço. Faça descontos!
  • Terceirização é importante, mas custa caro.
  • Finalmente, faça uma pesquisa de mercado e verifique o preço da concorrência.

Qualquer serviço deve ser cobrado segundo a seguinte regra:

  1. Juros do investimento realizado
  2. Reembolso de gastos efetuados
  3. Lucro ou mão de obra

Vamos explicar cada um desses itens?

Juros do investimento realizado

Para realizar um serviço de fotografia, você precisa realizar um alto investimento. Máquina fotográfica, flashes, lentes, estúdio… Esse investimento deve retornar à você de alguma forma. É a isso que chamamos de interest, ou, em português, em tradução bem pobre, juros do investimento realizado.

Por exemplo. Vamos supor que, para realizar fotos de um casamento, você use os seguintes equipamentos:

  1. Canon T5i, no valor de R$ 2.500,00 (com lente do kit),
  2. Lente EF-S 70-200, no valor de R$ 800,00
  3. Flash 680RT, no valor de R$ 1.500,00.
  4. Acessórios, no valor de R$ 400,00.

O total de seu equipamento é: R$ 5.200,00. A poupança está rendendo 0,7%, aproximadamente. Assim, 0,7% desse valor é R$ 36,4. Esse deve ser o retorno do rendimento de seu investimento, por mês.

Agora, qual é o uso adequado desse equipamento. Ou seja, caso você usasse esse equipamento profissionalmente, e intensivamente, qual a média de eventos por mês que conseguiria fazer com ele? Essa pergunta não é: qual a sua média de eventos? A pergunta é: um fotógrafo profissional, em média, conseguiria fazer qual uso do equipamento?

Nesse caso acima, diria que… uma vez por semana? Assim, o valor final, que é mensal, ainda deve ser dividido por 4. Portanto, o valor do juros do equipamento é… R$ 9,10.

Tá, você deve estar se perguntando… Poxa, nove reais! Essa conta toda para 9 reais! Mas, agora, vamos analisar o uso do seguinte equipamento (imaginando dois fotógrafos):

  1. Duas EOS 5d Mark III no valor de R$ 12.000,00 cada
  2. Duas 70-200 2.4 L IS no valor de R$ 12.000,00 cada
  3. Duas 24-105 f4 l USM no valor de R$ 4.000,00 cada
  4. 3 Flashes de stúdio no valor de R$ 12.000,00 (todos)
  5. 3 flashes dedicados no valor de R$ 5.000,00 (todos)
  6. Acessórios, no valor de R$ 1.500,00 (todos)

Fazendo as mesmas contas temos:

  • a) Total: R$ 74.500,00
  • b) Juros mensal: R$ 521,00
  • c) Supondo só dois eventos por mês: R$ 260,00

Já fez um pouco de diferença, não?

E se colocarmos aqui um estúdio, uma casa comercial? Se ela custou R$ 400.000,00, e se forem em média 10 clientes por mês, estamos falando de mais R$ 280,00 por cliente…

Reembolso de gastos efetuados

Os gastos são altos e muitas vezes nos esquecemos de os prever. Em geral são eles:

1)      Deslocamento

2)      Alimentação

3)      Hospedagem

4)      Ajudantes, Fotógrafos e Pessoal de Apoio

5)      Casa comercial

Vamos ver um por um?

Deslocamento:

O deslocamento envolve o custo de gasolina, o interest do carro, o tempo de deslocamento, despesas de manutenção do veículo, etc… Assim, são muitos e difíceis de se calcular. No entanto, tem um pessoal altamente qualificado que já faz isso para a gente… UBER! No valor que se paga ao taxista, tudo isso já está incluso e calculado. Assim, basta pegarmos o preço de UMA viajem que temos o valor do deslocamento.

Por que uma viajem? Porque os custos do profissional englobam o custo de sair do local onde ele está, te pegar, te levar onde quiser e voltar ao local de origem: uma viajem completa de ida e volta. Ou seja, o preço de ir E de voltar já está incluso em uma única viajem.

Assim, só fazer uma pesquisa de quanto custaria um UBER ao local do evento… e pronto!

Como preciso adotar um valor, mesmo que fictício, vou assumir apenas R$ 50,00.

Alimentação

Se o evento durar mais de 6 horas, você deve cobrar o valor de uma refeição para cada integrante da equipe. O valor da refeição pode ser calculado por meio quilo de um self servisse mais o valor de um refrigerante…  Em nosso caso: R$ 30,00 por integrante.

Hospedagem

Se o evento durar mais de oito horas, cabe uma diária de hospedagem.  Nesse caso, você deve analisar se realmente é necessária e só cobrar se o for. Mas, não deve também incorrer em “sacrifícios e riscos” para evitar o custo. Ex: se o evento durar oito horas e for 100Km distante de sua casa, cobre a hospedagem!

O custo vai depender muito do lugar. Para isso, o melhor é mesmo fazer um orçamento geral pela internet mesmo.

Se houverem mais de um integrante no grupo, não faça o orçamento de um quarto para cada! Faça orçamento para duas pessoas por quarto… Isso é justo e amplamente aceito.

Ajudantes/Fotógrafos

O valor que cada pessoa recebe é pessoal. Alguns dizem que sua diária vale R$ 1.000,00, outros R$ 100,00. Normalmente, a qualidade é proporcional ao valor recebido. De qualquer forma, uma boa média de preço é a diária de uma faxineira. Hoje, em Brasília, uma faxineira cobra cerca de R$ 130,00 mais transporte. Esse é um valor base para ser pago, por exemplo, a uma maquiadora “normal”, por seis horas de serviço.
Agora, se a diária é para um fotógrafo profissional, como segundo fotógrafo, uma boa base é o ganho médio de um profissional de curso superior. O salário médio de um profissional com curso superior é de aproximadamente R$ 4.400,00 (ver IBGE). Ocorre que freelancers costumam cobrar o dobro por diárias. Isso se deve à carga extra de trabalho, bem como ao fato de que não há trabalho todos os dias. Assim, R$ 4.400,00 / 12 = R$ 200,00. Ou seja, é aceitável diárias que variam de R$ 200,00 a R$ 400,00!

Casa comercial

Se o aluguel de seu estúdio ou ponto comercial for R$ 1.000,00 por mês, e você tiver uma média de 4 clientes mensais, você ainda deverá cobrar de cada um R$ 250,00!!! É por isso que apenas grandes fotógrafos normalmente possuem espaço comercial. São aqueles conseguem acumular bem mais que 4 clientes mensais, se utilizando de vários fotógrafos para fotografar eventos diferentes no mesmo dia.

Lucro ou mão de obra

Finalmente temos a sua mão de obra. Como calcular?

Bom, o primeiro passo é dar um valor a si mesmo. Quão bom fotógrafo você é? Quanto você merece ganhar ao final do mês? Se você se der um alto valor, fica sem clientes (a menos que seja muito bom e reconhecido). Se você se der um valor baixo, ganha pouco e ainda desvaloriza a profissão.

Uma boa medida é o salário médio do profissional de nível superior no país. Cursos de fotografia, aprendizagem, etc… equivalem, no fundo, a uma formação de nível superior.

Hoje, um profissional de nível superior ganha, em média, R$ 4.135,06. O próximo passo é calcular quantos eventos consegue em uma semana. Vamos supor que um profissional consiga, em média, 8 eventos por mês. Assim, o valor da mão de obra, ou seja, seu lucro, por evento, seria de R$ 500,00 (já arredondando).

Observe que um profissional gasta 40 horas semanais trabalhando. Você estará cobrando R$ 500,00 por evento que durará cerca de 8 horas. Assim, você ainda deverá “gastar” 24 horas editando, escolhendo as fotos, conversando com os clientes, imprimindo, fazendo álbuns, etc… Esse “custo” já está incluso no valor cobrado!

Cobrar por Foto, por Saída, por Álbum?

Tanto faz! A questão é simples: cada um tem de trabalhar 44 horas por semana, certo? Mas você precisa de um tempo para cuidar do seu negócio… o tempo administrativo. Vamos supor que sobrem, para trabalhar com a fotografia, propriamente dita, pouco mais da metade disso: 30 horas por semana. Desses, vamos supor, novamente, que você faça duas saídas de oito horas cada… dando 16 horas. Sobram 14 horas para edição, impressão e entrega do material!!!

Assim, se cobrar a saída, avise que só poderá editar X fotos e que só poderá entregar de TAL forma. Essas X fotos e essa TAL forma devem ser de tal forma que você consiga realizar tudo em apenas 7 horas!

Se cobrar por foto, a mesma coisa! Só que você só entregará as X fotos que der para fazer nessas 7 horas.

Por álbum.. idem! Entenderam a ideia? A forma de cobrar não é importante. O importante é cumprir o prometido. Se o cliente quiser 500 fotos do casamento, não editadas, e apenas 10 editadas, de tal forma que você consiga entregar o serviço conforme combinado, OK!!!! Mas, cuidado: nesse caso, você deverá ter condições contratuais que garantirão que o cliente respeite seu nome…

É por isso que a maioria dos fotógrafos preferem assim: por foto. Porque dessa forma, o fotógrafo sabe de antemão quanto tempo gastará em edição e preparo, além de que terá a garantia de só entregar boas fotos, deixando o cliente abismado com a qualidade do serviço e retirando a possibilidade de uso indevido de fotos não tratadas. Mas, embora seja a regra, isso não deve ser tido como lei! Há outras formas de serviço, há outras necessidades, há outras formas de fazer.

Seja qual for o caso, lembre-se: você deve cobrar o seu serviço e não a foto, ou seja, mesmo quando cobra por fotos, tenha em mente que o que está cobrando de fato é o seu serviço. Ainda, você deve dar qualidade e deve garantir, de forma contratual, que o cliente não irá difamar seu nome. O instrumento para isso é o contrato (que trataremos em outro lugar) e não a forma de cobrança!

Finalmente, lembre-se: não adianta achar que você vale muito. Também, não adianta se desvalorizar! Comece pequeno, mas pense grande!

Finalmente, vamos à alguns exemplos?

Orçamento 1

Equipamento

  1. Canon T5i
  2. Lente EF-S 70-200
  3. Flash 680RT
  4. Acessórios

Valor: R$ 10,00

Gastos

1)      Deslocamento: R$ 50,00

2)      Alimentação: R$ 30,00

3)      Ajudantes, Fotógrafos e Pessoal de Apoio

Ajudante: R$ 130,00

Maquiadora: R$ 130,00

4)      Ponto comercial: R$ 250,00

Total: R$590,00

Serviço de Fotografia e Edição:

R$ 500,00

TOTAL: R$ 1.100,00

Observe que, neste exemplo, coloquei um fotógrafo iniciante, que consegue 2 eventos por semana e que gasta pouco tempo, portanto, em edição, etc…, mas já tem um ponto comercial. Sem o ponto comercial, ele poderia cobrar apenas R$ 850,00! Mas, seria muito mais difícil para ele conseguir clientes.

Orçamento 2

Equipamento

  1. Duas EOS 5d Mark III no valor de R$ 12.000,00 cada
  2. Duas 70-200 2.4 L IS no valor de R$ 12.000,00 cada
  3. Duas 24-105 f4 l USM no valor de R$ 4.000,00 cada
  4. 3 Flashes de estúdio no valor de R$ 12.000,00 (todos)
  5. 3 flashes dedicados no valor de R$ 5.000,00 (todos)
  6. Acessórios, no valor de R$ 1.500,00 (todos)

Valor:  R$ 260,00

Casa Comercial

Valor: R$ 280,00

Gastos

1)      Deslocamento: R$ 250,00

Para: Um assistente, um fotógrafo adicional e uma maquiadora

2)      Alimentação: R$ 120,00

Quatro pessoas, R$ 30,00 para cada

3)      Ajudantes, Fotógrafos e Pessoal de Apoio

Assistente: R$ 130,00

Maquiadora: R$ 130,00

Fotógrafo adicional: R$ 550,00

Total: R$ 810,00

Serviço de Fotografia e Edição:

R$ 1.500,00

TOTAL GERAL: R$ 3.220,00

Observe que, neste exemplo, coloquei um fotógrafo experiente, que (por cobrar mais caro) faz apenas 2 eventos por semana e que recebe, de lucro, por mês, R$ 12.000,00, com ponto comercial (estúdio) fixo e de nível.

Descontos

Finalmente, vamos falar daquela época especial. Aquela que falta serviço, a economia esta difícil, e você precisa conseguir clientes! A solução é dar descontos!

Mas, você não pode dar descontos em nenhum dos itens anteriores, exceto seu próprio salário. Desconto, só no seu valor! Dar descontos nas outras verbas é garantir que não sobrará nada para você. É garantia de mais dívidas futuras.

Reduzir seu preço permanentemente é o mesmo que dizer “cara, eu não sou bom… preciso reduzir meu salário para ver se alguém pega um serviço de pior qualidade…”, enquanto desconto significa “preciso angariar mais clientes, mostrar que sou bom para que os outros me indiquem” ou mesmo “sou muito bom, mas estou em crise, preciso de algo urgente, mas é temporário, pois sei que sou bom!”. Entenderam a diferença? Se realmente acham que supervalorizaram seus salários, então, aí sim, caberia uma redução no preço….

Bom, é isso pessoal. Pensem bem!

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